História do cristal.

O vidro é uma das descobertas mais surpreendentes do homem e sua história é cheia de mistérios. Não existem dados precisos sobre a época de sua origem, ninguém sabe exatamente quando e onde foram feitas as primeiras peças de vidro. Os achados mais antigos remontam há 7000 anos a.C. e foram feitos no Egito e na Mesopotâmia (Iraque).

Indícios nos levam a crer que sua origem teria sido casual, no Oriente Médio, ocorrida quando nômades egípcios atravessavam o deserto e utilizavam placas de nitrato de sódio sob as panelas durante a preparação dos seus alimentos. Eles começaram a perceber no solo a formação de um material desconhecido, que ao acenderem suas enormes fogueiras em meio ao deserto, na fundição da areia e do calcário de conchas, após sofrerem a ação do calor e passado algum tempo escorria do fogo uma substância brilhante e rígida, que se solidificava imediatamente. Estaria então descoberto o vidro que, com sua beleza, funcionalidade e múltiplas aplicações passariam definitivamente a fazer parte da vida cotidiana. A fabricação do vidro também está intimamente ligada à fabricação da cerâmica, que já existia por volta de 8000 a.C. no Egito.

A arte de se fabricar o vidro é revolucionária, simples em seus princípios, complexa nos detalhes e belíssima quando transformada em arte. São necessários artesãos e artistas inteligentes e preparados a fim de conseguir a perfeição nesta arte.

A primeira notícia de uma composição de vidro data de mais ou menos 650 a.C. Na biblioteca do rei Assírio Assurbanipal foi encontrado o seguinte texto: "Pegue 60 partes de areia, 180 partes de cinzas de plantas marítimas, cinco partes de giz e você terá o vidro".

A grande revolução na já antiga arte de fabricar vidro ocorreu por volta de 200 a.C. com a invenção da cana de vidreiro. Esta cana era uma ferramenta de aço refratário com 100 até 150 cm de comprimento e 1cm de diâmetro com furo interno (medidas usadas antigamente).

Com esta cana, o vidreiro retira do forno a quantidade suficiente de vidro para fazer a peça. Esta ferramenta é usada até os nossos dias e ainda não foi inventada outra melhor. O intenso comércio entre os povos do império romano foi decisivo para a rápida propagação da nova descoberta e com isso a arte de conformar o vidro tomou grande impulso e teve sua primeira fase áurea. Uma cidade importantíssima na história do vidro foi Veneza, tida como o maior centro comercial da idade média. As fábricas de vidro empregavam mais de 8000 pessoas. A maior conquista dos venezianos foi à fabricação de cristal com brilho irreproduzível na época e transparência absoluta. A areia pura e o carbonato de potássio obtido da queima das algas marinhas eram requisitos básicos para se obter essa alta qualidade.

Técnica di Murano

A indústria do vidro teve forte desenvolvimento a partir do século 10, em Veneza, quando passou a produzir a vidraria artística em diversas cores e formas, transformando as peças em pura arte e encantamento. Em meados do século XV, as autoridades de Veneza, com receio de que o segredo da composição do vidro e da técnica de fabricação se espalhasse pelo mundo confinou os vidreiros na Ilha de Murano com a desculpa de que o manuseio do fogo em fornos rudimentares poderia incendiar e destruir a já famosa cidade. Conforme lei da época, vidreiros desertores eram condenados à morte. Já os fiéis eram premiados com mordomias conferidas a nobres. Desde então, a Ilha de Murano concentrou a produção vidreira, distribuindo seus produtos para o mundo inteiro, firmando a expressão “vidro di Murano” como sinônimo da técnica artístico-artesanal então utilizada.



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